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19 jan 11

Resultado do concurso “Vá para a Amazônia com o WWF-Brasil”

por cuidardanatureza
Detalhes da vegetação da floresta Amazônica, Acre, Brasil. © Peter Muller/Bild

Parte do movimento “Cuidar da natureza é cuidar da vida”, uma das atividades do WWF-Brasil durante o Ano Internacional da Biodiversidade (2010), o concurso “Vá para a Amazônia com o WWF-Brasil” teve como objetivo estimular os participantes a buscarem a resposta para a pergunta “Por que você precisa da natureza para viver?”.

Entre as quase 5 mil respostas recebidas, as vencedoras são:

Primeiro Colocado
Frase: Para que eu não seja mais uma espécie ameaçada de extinção!
Ganhador: Wildes Gomes de Campos

Segundo Colocado
Frase:  Porque a vida é o bem maior que nós temos, e preservar a natureza significa garantir esse patrimônio.
Ganhador: Monch Charles Silva de Oliveira

Terceiro Colocado
Frase: Porque na natureza encontro paz, melhor qualidade de vida, prazer em viver e razões para defendê-la onde quer que eu esteja.
Ganhador: Márcia Maria Rigueira de Queiroz

O primeiro irá conhecer o escritório do WWF-Brasil em Rio Branco (AC) e visitar projetos de conservação da organização na região em uma viagem de 6 dias e 5 noites, sem acompanhante.  O segundo e terceiro colocados receberão um kit do WWF-Brasil. Todos os ganhadores serão contatados por e-mail.

As respostas foram avaliadas por uma Comissão Julgadora, formada por profissionais ligados a área de meio ambiente e de comunicação e marketing. O critério para a escolha das melhores respostas levou em consideração quesitos como originalidade, criatividade e relação com o conteúdo disponibilizado pela campanha.

16 dez 10

Confira os principais resultados do movimento “Cuidar da Natureza é Cuidar da Vida”

por cuidardanatureza
O movimento comemora a criação do Parque Estadual Restinga de Bertioga, em São Paulo, uma das 10 áreas prioritárias para a criação de novas unidades de conservação indicadas pela campanha. ©WWF-Brasil/Adriana Mattoso

O fim do concurso cultural ”Vá para a Amazônia com o WWF-Brasil”, no dia 15 de dezembro, marcou o encerramento do movimento “Cuidar da Natureza é Cuidar da Vida”, uma das ações do WWF-Brasil em 2010 – Ano Internacional da Biodiversidade.  O movimento comemora a criação do Parque Estadual Restinga de Bertioga, em São Paulo, uma das 10 áreas prioritárias para a criação de novas unidades de conservação indicadas pela campanha, e acredita ter contribuído para que a sociedade brasileira compreenda melhor a relação entre a natureza e a sua qualidade de vida.

Desde outubro de 2010, o WWF-Brasil produziu uma série de ações e conteúdos especiais para reforçar que “para viver você precisa que a natureza também viva”.  A campanha contou com uma boa aceitação do público tanto pela participação no concurso cultural “Vá para a Amazônia com o WWF-Brasil” e a disseminação da mensagem em mídias sociais, como o Facebook e o Twitter, quanto pela interação nas ações promovidas pelas ruas de São Paulo e eventos como o Natura Nós.

Os conteúdos focaram sua argumentação em temas como a manutenção dos serviços ecológicos, incluindo o equilíbrio climático e a prevenção e recuperação de desastres ambientais; o uso direto da biodiversidade, como os recursos naturais que fornecem remédios, fibras e combustíveis; e o uso público das áreas protegidas, que podem ser fonte de lazer e aprendizado.

Um das principais ações da campanha foi a apresentação de uma lista com 10 áreas prioritárias para a criação de novas unidades de conservação na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. A lista foi uma sugestão dada pelo WWF-Brasil ao governo brasileiro para que as metas de cobertura natural protegida por unidades de conservação estabelecidas pela Convenção sobre Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas (CDB) fossem cumpridas ainda em 2010.

Ainda não conquistamos a criação de todas as áreas protegidas sugeridas pela lista, mas a criação do Parque Estadual Restinga de Bertioga (SP), decretada pelo governo paulista em 10 de dezembro, representou uma grande vitória para o WWF-Brasil e seus parceiros. Com 9,3 mil hectares, o parque ajudará a manter a biodiversidade e serviços ambientais úteis a toda a sociedade, além de formar um “corredor ecológico” interligando regiões litorâneas à Serra do Mar paulista.

Outra conquista importante, foram os avanços nas negociações internacionais de biodiversidade durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, realizada em outubro no Japão. Os países participantes avançaram em acordo relativamente ambicioso de redução da perda de biodiversidade para a próxima década e uma sinalização de recursos financeiros para a implementação das ações de conservação.

O WWF-Brasil agradece a sua participação e espera poder contar novamente com o seu apoio em 2011. A organização continuará a trabalhar não só pela criação das nove áreas protegidas restantes da lista apresentada pela campanha, mas também em várias outras iniciativas e desafios. Enquanto isso continue acompanhando o nosso trabalho, pois a sua participação é essencial para a conservação da natureza e o uso racional dos recursos naturais.

”Vá para a Amazônia com o WWF-Brasil”

Aqueles que participaram do concurso cultural “Vá para a Amazônia com o WWF-Brasil” tiveram a oportunidade de fazer a sua própria reflexão sobre o tema ao responder a pergunta: “por que você precisa da natureza para viver?” Afinal, a natureza é o elo entre tudo que existe na Terra. Ela é aquilo que realmente precisamos para viver!

Devido a grande procura, as inscrições para o concurso foram encerradas somente em 15 de dezembro de 2010. Os resultados serão divulgados, por meio do site e e-mail aos vencedores, no próximo dia 19 de janeiro.  As respostas serão avaliadas por uma Comissão Julgadora, formada por profissionais ligados a área de meio ambiente e de comunicação e marketing.

16 dez 10

Um modelo para as emissões do Cerrado

por cuidardanatureza
Conhecer emissões também ajudará a proteger o Cerrado. foto: Aldem Bourscheit

por Aldem Bourscheit

Até fevereiro de 2011, deve ser apresentado um sistema para o monitoramente das emissões oriundas do desmatamento do Cerrado. Elas ampliam o efeito estufa e provocam o aquecimento planetário. O trabalho conjunto é da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Goiás e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apoiado pela Embaixada Britânica. Ontem (15), pesquisadores reuniram-se na capital federal para dar seguimento à empreitada, iniciada há dois anos.

Conhecer com um mínimo de precisão o peso do Cerrado no balanço nacional de emissões é fundamental para se reduzir a própria degradação do bioma e para a aplicação de políticas como a de pagamento por serviços ambientais, com projeto de lei tramitando no Congresso, ou da Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd), que teve uma definição aprovada na última Convenção das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP-16), em Cancún (México). Há 21 projetos de Redd no país, 18 deles na Amazônia.

“Mais da metade das pastagens comerciais no Cerrado estão degradadas, contribuindo para as emissões do bioma. No entanto, pastagens bem manejadas, integração lavoura-pecuária e plantio direto ajudam a conter emissões, mesmo que não retenham carbono na mesma proporção da vegetação nativa”, apontou Mercedes Bustamante, pesquisadora e professora do Instituto de Ciências Biológicas da UnB.

Entre 2002 e 2008, o Cerrado perdeu mais de 14 mil quilômetros quadrados de vegetação por ano. Nas últimas quatro décadas, por volta de um milhão de quilômetros quadrados foram desmatados, cerca da metade do bioma, abrindo espaços a pastagens, culturas agrícolas, urbanização, geração de energia e produção de carvão. No Cerrado, perambula 44% do rebanho bovino nacional.

Apesar do uso intenso, de sua importância ambiental e de seu peso na economia brasileira, as dificuldades se acumulam para a modelagem de emissões pela carência de estudos abrangentes sobre o Cerrado. E também pela variedade de ambientes que fazem dele a formação com savanas mais rica em vida no planeta. Um exemplo é a grande diferença no acúmulo de biomassa entre os típicos campos limpos, veredas e matas fechadas.

Nos próximos dois meses, o time de pesquisadores precisará encontrar o melhor caminho para decifrar as emissões do Cerrado, possivelmente incluindo na conta um conjunto de “mudanças de uso do solo” e não apenas o simples desmatamento, e alcançar uma fórmula simples, eficiente e útil para o direcionamento de políticas públicas que levem à conservação, recuperação e bom uso do bioma.

“De início, instituições públicas e privadas poderão usar esses dados em suas áreas de atuação em campo como locais para validação e detalhamento dessas emissões”, comentou Mario Barroso Neto, especialista em geoprocessamento do WWF-Brasil.

10 dez 10

Bertioga ganha parque estadual

por cuidardanatureza
Parque colocará a salvo planície vizinha à Serra do Mar. foto: Adriana Mattoso

por Aldem Bourscheit

O Parque Estadual Restinga de Bertioga, em São Paulo, está oficialmente criado. O decreto assinado pelo governador Alberto Goldman foi publicado hoje (10) no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Com 9,3 mil hectares, o parque está inserido no município de Bertioga, onde ajudará a manter a biodiversidade e serviços ambientais úteis a toda a sociedade, além de formar um “corredor ecológico” interligando regiões litorâneas à Serra do Mar. Como unidade de conservação de proteção integral, ele será mais um espaço dedicado ao ecoturismo, lazer e educação ambiental para os brasileiros.

A criação do parque havia sido aprovada pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Consema) no fim de outubro, e é uma prioridade para o WWF-Brasil, que promoveu ações para mobilização pública e via Internet, colhendo amplo apoio social à ampliação da área protegida na Mata Atlântica. A região agora oficialmente protegida abriga rios que abastecem a região e espécies ameaçadas e exclusivas do bioma estava antes vulnerável à pressão imobiliária e turística desordenada.

“A criação do parque representa uma vitória de um processo que contou com amplos estudos técnicos e ajuda a completar uma lacuna importante na conservação da Mata Atlântica, pois não havia nenhuma amostra suficientemente protegida das restingas no centro do estado. Os processos de consulta pública e de negociação política foram exaustivos, aceitando alternativas de conservação privada. Por isso louvamos a iniciativa do Governo de São Paulo e reafirmamos nosso empenho de continuar apoiando o sistema estadual para melhorar sua gestão. Vale ressaltar que, diferentemente do que alguns qualificam como entrave ao desenvolvimento, áreas como o parque de Bertioga valorizaram ainda mais o turismo nessa região magnífica do litoral brasileiro”, ressaltou Claudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.

A especialista em conservação da Mata Atlântica do WWF-Brasil, Luciana Simões, comenta que agora será necessário implementar o mais novo parque estadual de São Paulo, destinando recursos e infraestrutura para sua gestão e fiscalização, o que pode ocorrer em parceria com o próprio município de Bertioga. Além disso, lembra ela, é preciso formar um conselho gestor com representação equilibrada entre governo e sociedade e disparar a elaboração do plano de manejo, espécie de manual de uso da unidade. “O WWF-Brasil seguirá apoiando esse processo, como já faz há seis anos, sempre com vistas à ampliar e qualificar a conservação da biodiversidade e da Mata Atlântica”, disse.

Confira aqui o decreto de criação do Parque Estadual da Restinga de Bertioga. A Área de Relevante Interesse Ecológico Itaguaré, com 58 hectares, também em Bertioga e já aprovada pelo Consema/SP, não foi contemplada no texto.

Mata Atlântica - Com suas florestas, campos, restingas e manguezais reduzidos a menos de um terço da área original, a Mata Atlântica é hoje o mais degradado dos biomas brasileiros. Menos de 8% de sua vegetação estão bem conservados. Mesmo assim, seus remanescentes ainda prestam “serviços ambientais” indispensáveis a 123 milhões de brasileiros (67% da população) que vivem na região, como proteger e manter rios, lagos, evitar a queda de encostas, regular o clima e a qualidade do ar.

Estudo da Rede WWF e do Banco Mundial revelou que mais de trinta das 105 maiores cidades do mundo, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, dependem da água fornecida por unidades de conservação e avaliou que as matas distribuídas às margens de cursos d´água na Mata Atlântica estão comprometidas. Quando preservadas, por exemplo, servem para conter enchentes e proteger a biodiversidade formando corredores entre áreas conservadas.

Atualmente, existem 123 unidades de conservação federais e 225 unidades de conservação estaduais na Mata Atlântica, somando quase 75 mil quilômetros quadrados.

9 dez 10

Um presente para os amantes dos pássaros

por cuidardanatureza
Lançamento do Guia de aves Mata Atlântica Paulista, em São Paulo. Roberta Lotti/WWF-Brasil.

Foi lançado ontem, dia 8/12, em solenidade no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, o Guia de aves Mata Atlântica Paulista, produzido pelo WWF-Brasil e pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo.

Quarenta e oito espécies de pássaros da Mata Atlântica estão catalogadas no Guia, com nomes e dados científicos, nomes comuns, fotografias coloridas e uma breve descrição de comportamento e hábitos, bem como suas particularidades. O material foi pensado para os visitantes habituais dos parques e será usado também para atrair novos visitantes na tentativa de instigá-los na observação das aves, mas também para os ornitólogos, observadores profissionais e estudiosos.

À primeira vista, o que mais chama atenção no Guia de aves Mata Atlântica Paulista é o projeto gráfico. O  tamanho médio com acabamento em espiral é prático para ser levado às “expedições” de observação de pássaros. As cores são utilizadas como elementos didáticos e lúdicos e os textos são simples e de fácil entendimento.

O conteúdo é todo bilíngue (português e inglês), e cada página traz uma curiosidade sobre a espécie apresentada. Por exemplo, você sabia que o Tangará é um exímio dançarino e conquista a fêmea com sua dança? Ou ainda que o beija-flor-de-fronte-violeta permite apenas que as fêmeas se aproximem das plantas floridas onde tomam néctar?

O Guia traz ainda um mapa das serras do Mar e de Paranapiacaba, com suas Unidades de Conservação, e pequenos desenhos que sinalizam onde podem ser vistos os pássaros catalogados.

Visite o site do WWF-Brasil para baixar gratuitamente o guia!

8 dez 10

Fronteiras do Cerrado em exposição

por cuidardanatureza
Vereda, formação típica do Cerrado. foto: Peter Caton

por Aldem Bourscheit

O Cerrado já perdeu metade da vegetação nativa para o avanço muitas vezes desregrado do agronegócio, para a geração de energia e urbanização, e tem menos de 3% de sua área protegida em parques nacionais e outras unidades de conservação de proteção integral. Mesmo assim, ele resiste e ainda abriga paisagens e culturas únicas do Brasil.

Um apanhado dessas belezas e mazelas pode ser conferido a partir desta quinta (9) no Senac Lapa Scipião (SP), onde foi instalada a exposição Cerrado: Imagens de fronteiras e transformações. As fotografias são do britânico Peter Caton, a curadoria de João Kulcsár e a promoção do Instituto Sociedade, População e Natureza (DF) e do Senac.

As 25 imagens captadas durante a passagem de Caton por várias regiões do Cerrado revelam a riqueza ecológica do bioma, com suas veredas, florestas, savanas e campos, usos da terra às vezes voltados à agropecuária e em outras à produção de carvão, e ainda populações espalhadas pelos recantos do país.

Estudos comprovaram que o Cerrado é a formação com savanas mais rica em vida no planeta, abrigando 5% das espécies mundiais e três em cada dez espécies brasileiras. No Cerrado vivem cerca de 30 milhões de brasileiros, incluindo populações de quilombolas, geraizeiros, quebradeiras de coco babaçu, ribeirinhos, vazanteiros e indígenas.

A mostra segue até o dia 20 de janeiro, de segunda à sexta-feira das 9h às 21h e aos sábados das 9h às 16h. A entrada é gratuita. Mais informações aqui.

1 dez 10

Pesquisa de biodiversidade na Amazônia

por cuidardanatureza
Vista aérea da amazônia durante a Expedição Científica à Terra do Meio, Pará, em 2009. WWF-Brasil / Alex Silveira

Por Ligia Barros

Entre os dias 3 e 14 de dezembro, acontecerá a 3ª Expedição Científica à região da Terra do Meio com destino ao Parque Nacional (Parna) Serra do Pardo, no Pará.

Organizada pelo Instituto de Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e WWF-Brasil em parceria com o Museu Emílio Goeldi, o objetivo da viagem é levantar informações sobre a vegetação e fauna da região para o ordenamento territorial e elaboração do plano de manejo da unidade de conservação.

O Parna Serra do Pardo, com aproximadamente 445 mil hectares, é uma unidade de conservação (UC) de proteção integral que ocupa parte do município de Altamira, mas fica mais próximo do centro da cidade São Félix do Xingu. A região é considerada uma das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade no estado do Pará.

Pesquisadores do Museu Emílio Goeldi, da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal de Goiás e do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA) coletarão em campo amostras de organismos indicadores de biodiversidade, tais como anfíbios, répteis, aves, mamíferos, peixes e vegetação.  A metodologia que será usada é a Avaliação Ecológica Rápida (AER), que possibilita conhecer em curto prazo a presença, a quantidade e a diversidade de espécies no local.

Haverá três bases de pesquisa no Parna. Cada base terá quatro trilhas, com cerca de cinco quilômetros cada, com diferentes paisagens e vegetação. Essa heterogeneidade de ambientes foi escolhida para aprimorar a amostragem dos pesquisadores, que poderão, assim, encontrar o maior número de espécies, inclusive algumas possíveis novas espécies.

A equipe da expedição científica sairá da cidade de Altamira (PA) no dia 3 de dezembro, às 8h, com destino ao Parna Serra do Pardo. A logística da expedição conta com o suporte do ICMBio, que disponibilizará um avião Caravan para o transporte de Altamira ao parque, e do Exército, que mobilizará um helicóptero Cougar para deslocamentos dentro da unidade de conservação.

Veja como foram outras expedições científicas organizadas pelo WWF-Brasil!

19 nov 10

As futuras gerações também merecem ver a raflésia e outras maravilhas da natureza

por cuidardanatureza
A raflésia, considerada a maior flor do mundo, é encontrada na ilha de Bornéu, no sudeste asiático. WWF-Brasil/Bruno Taitson

Por Bruno Taitson, de Kota Kinabalu, Malásia

Uma das razões para procurarmos conservar a biodiversidade é garantir o direito das atuais e futuras gerações de conhecerem as belezas naturais que nossos avós, pais e, nós mesmos, tivemos a oportunidade de conhecer. Em outras palavras, não é justo privar nossos filhos e netos de poder presenciar maravilhas como florestas, animais, flores, insetos, rios, paisagens e outros encantos que a natureza nos presenteou.

Uma das maravilhas com que a natureza nos presenteou chama-se raflésia, considerada a maior flor do mundo. Ela aparece apenas na ilha de Bornéu, no sudeste asiático, tanto em regiões pertencentes à Malásia quanto à Indonésia.

Uma de suas espécies, a Rafflesia arnoldii, pode ter mais de um metro de diâmetro. Não é fácil ver uma raflésia aberta. Não basta percorrer milhares de quilômetros até Bornéu, é preciso ainda assim ter muita sorte. Ela floresce uma vez a cada nove ou dez meses, e fica aberta por pouquíssimos dias, às vezes, até mesmo por algumas horas. Além disso, segundo cientistas locais, menos de 10% das raflésias chegam a florescer.

Contribuir para a destruição de ecossistemas com atitudes como andar de carro mais do que o necessário, comprar produtos com muitas embalagens plásticas, gastar muita água no banho, comer carne vermelha em excesso, comprar móveis feitos de madeira ilegal, além de acentuar o aquecimento global, faz com que belezas naturais, como a raflésia, sejam subtraídas das próximas gerações.

É o mesmo que um pai, que teve acesso a um livro de histórias maravilhosas, não cuidar desse livro, ao ponto do objeto se deteriorar ao ponto de não mais poder ser lido, privando seu filho do acesso a essas histórias que poderiam, talvez, mudar a vida do menino. Não seria justo. Portanto, deixemos que nossos filhos possam ver as belezas da Mata Atlântica, da Amazônia ou das raflésias em Bornéu.

18 nov 10

Plantas do Cerrado têm uso variado

por cuidardanatureza
Pequi, fruto típico do Cerrado. © Juan Pratginestos / WWF-Canon

Por Aldem Bourscheit

Das mais de 11,6 mil plantas nativas diferentes do Cerrado, cerca de 300 são usadas como alimento, remédio ou matéria-prima para artesanato, principalmente por populações de quilombolas, geraizeiros, quebradeiras de coco babaçu, ribeirinhos, vazanteiros e indígenas.

Entre frutos comestíveis, temos o buriti, o pequi (foto), o jatobá, o bacupari, o araticum, o caju-do-cerrado, o baru, o araçá, o murici, a pêra-do-cerrado e mais de 80 outras espécies, incluindo maracujás e abacaxi silvestres.

Uma das mais belas árvores do Cerrado, a sucupira-branca oferece frutos com propriedades que combatem dores na garganta, sinusite e cólicas intestinais. Além de ter “vocação ornamental”, a para-tudo tem suas raízes e flores usadas em chás que aliviam os sintomas da febre, asma e bronquite.

Árvore frondosa, o baruzeiro fornece uma castanha mais rica em vitaminas que as castanhas do Pará e de caju e que a soja. O pequi, além de casar muito bem com arroz, feijão e galinha, é usado como tonificante, antitumoral e cosmético, enquanto sua árvore é fonte de madeira, óleos e tinturas.

Da polpa do jatobá, se produz farinha que pode ser consumida pura ou no preparo de mingau, pães, bolos e biscoitos. Casca e resina são usadas para problemas intestinais e respiratórios. Dos frutos da palmeira buriti, “marca registrada” das veredas do Cerrado, são feitos licores e doces, enquanto o óleo  é usado como vermífugo, energético e cicatrizante. Do caule se extrai palmito e sua folhagem cobre casas e serve para artesanato.

E ainda, metade da rutina extraída no mundo vem da faveira, outra planta nativa do Cerrado. A substância obtida a partir do agroextrativismo é amplamente usada pela indústria farmacêutica em medicamentos para problemas vasculares.

Outras plantas com uso medicinal são o assa-peixe, a arnica, a macela, a copaíba, o bálsamo, o barbatimão e tantas outras.

Ampliar o conhecimento e os bons usos da vegetação do Cerrado também depende de políticas públicas que ampliem as pesquisas científicas e abram os mercados a produtos oriundos de recursos naturais nativos. Das 472 espécies na lista da flora brasileira ameaçada de extinção, 132 (28%) estão no Cerrado.

11 nov 10

Pantanal, um ecossistema único, rico e ao mesmo tempo ameaçado

por admin
Área alagada do Pantanal. © WWF-Brasil/A. Cambone, R. Isotti - Homo ambiens

Nesta sexta-feira (12), é comemorado no Brasil o dia do Pantanal. O WWF-Brasil aproveita a data e lança um vídeo produzido pela instituição mostrando as riquezas ambientais desse patrimônio natural, impactos e alternativas para a região

Por Geralda Magela

Imagine um grande prato de sopa que enche de água e transborda no período de chuva, depois vai esvaziando aos poucos na estação seca e volta a encher de novo.  Essa imagem pode ser usada para entender melhor o que é o Pantanal, um ecossistema único, rico e ao mesmo tempo ameaçado, situado no coração do Brasil, na Bolívia e no Paraguai.

A riqueza ambiental do Pantanal, sua biodiversidade e paisagens únicas fazem parte do vídeo sobre o Pantanal produzido pelo WWF-Brasil, em parceria com o WWF-Bolívia.

O vídeo de 6 minutos mostra também os impactos que a região vem sofrendo e os projetos e alternativas de produção sustentável que o WWF apoia no  Brasil e na Bolívia  para conservar o Pantanal. Entre eles, a pecuária orgânica certificada, monitoramento de impactos, educação ambiental, ordenamento territorial, áreas protegidas públicas e privadas.

O Pantanal é a maior área úmida do Planeta e sua importância ambiental ultrapassa as fronteiras dos três países que o abrigam. Paisagem em constante movimento, é justamente esse ciclo das águas o responsável pela riqueza do Pantanal.

Quando o “prato” se enche e transborda formam-se grandes alagados, encharcando e nutrindo o solo com água e material orgânico, trazidos junto com a inundação. Quando esvazia, também mostra sua exuberância e forma o ambiente ideal para a  uma grande variedade de  plantas e animais que encontram ali  as condições ideais para viver, reproduzir e se perpetuar.

No entanto, se diminuir ou aumentar em excesso a quantidade de água ou se a água carregar muitos sedimentos, o processo de inundação fica prejudicado e o Pantanal também. “A sobrevivência do Pantanal rico e biodiverso depende desse ciclo das águas. Por isso, qualquer mudança ou impacto nas partes altas da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai, onde estão as nascentes,  têm reflexos no Pantanal”, destaca  o coordenador do Programa Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker.

Desde 1998, WWF-Brasil e WWF-Bolívia vêm atuando com projetos de conservação no Pantanal, com uma visão transfronteiriça, olhando a bacia como um todo e em articulação com parceiros locais.  A escolha do bioma como uma de suas áreas prioritárias de atuação da ONG deve-se ao reconhecimento da importância do Pantanal para a conservação da biodiversidade.

Leia mais sobre o Pantanal e sobre a atuação do WWF-Brasil na área.

11 nov 10

Cerrado detém 5% da vida no planeta

por cuidardanatureza
Parque Nacional da Serra da Canastra National (MG) / © Michel Gunther / WWF-Canon

Aldem Bourscheit

O Cerrado é a segunda maior formação natural da América do Sul, só perde em tamanho para a Amazônia. Sua vegetação distribuída em campos naturais, veredas, florestas e savanas de raízes profundas abriga 5% das espécies mundiais e três em cada dez espécies brasileiras de animais e plantas.

Na ponta do lápis, pesquisadores já registraram no Cerrado 120 espécies de répteis, 150 de anfíbios, 161 mamíferos, 1.200 tipos de peixes, 837 espécies de aves e mais de 11,6 mil plantas diferentes. Dessas, mais de cinco mil só vivem no bioma. Além disso, foram catalogadas 90 mil espécies de insetos.

Animais simbólicos do bioma são o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o tatu-canastra, o papagaio-galego, a ema, a seriema, a curicaca, o pato-mergulhão, a arara-canindé, o soldadinho, o pica-pau-do-campo, o tiê-do-Cerrado, o calango, o teiu e tantos outros.

Na vegetação, destacam-se o pequi, o buriti, o cajueiro-do-campo, a canela-de-ema, a cagaita, a rosa-do-campo, o sombreiro e o chuveirinho (foto), a quaresma-roxa, a mangaba, a sucupira, o jatobá, a lobeira, o angelim, o ipê-amarelo, a gritadeira e a flor-do-Cerrado, além de variadas espécies de orquídeas, cactos, árvores, arbustos e gramíneas. Cerca de 300 plantas nativas são usadas como alimento, remédio ou matéria-prima para artesanato.

Toda essa biodiversidade sofre com desmatamentos, queimadas e incêndios, enquanto unidades de conservação cobrem apenas 168 mil quilômetros quadrados (8,2%) do bioma. Desse total, menos de 3% estão efetivamente protegidos.

Estima-se que uma em cada cinco espécies exclusivas do Cerrado já não sobrevivam em parques nacionais e outras unidades de conservação. A lista nacional de espécies ameaçadas de extinção tem 137 animais e 132 plantas do bioma.

9 nov 10

Impressora ecológica contra o desmatamento

por cuidardanatureza
A impressora ThePrePeat RP-3100. Foto: Divulgação

Por Marco Paiva

As impressões desnecessárias de documentos contribuem para o desmatamento de florestas.  Tendo essa preocupação em mente, a companhia coreana Sanwa Newtec surgiu com uma alternativa sustentável para o problema.

Por meio de um sistema de calor controlado, a impressora ecológica PrePeat não utiliza tinta nem toner: um aparelho térmico clareia ou escurece a superfície do papel, desenhando dessa forma as letras e figuras do documento em preto e branco.

O papel utilizado é feito de garrafas PET recicladas e pode ser reutilizado várias vezes. Uma única folha pode ser impressa até mil vezes.

Apesar desse equipamento ainda não estar à venda no Brasil (a impressora custa 800.000 yenes, um valor aproximado de R$16.200 e o bloco com mil folhas do papel custa R$6 mil), podemos ter uma atitude mais sustentável em relação à impressão de documentos. Devemos utilizar papel reciclado, reutilizar o verso de folhas que já foram impressas, usá-las como rascunho, e avaliar se realmente é necessário imprimir aquele texto ou e-mail.

Medidas como essa ajudam a conservar o planeta e a cuidar da natureza.

Veja outras dicas sobre como ajudar o meio ambiente.

Fonte: Planeta Sustentável

5 nov 10

Boçorocas ameaçam nascentes no interior de Mato Grosso

por cuidardanatureza
Boçoroca em Reserva do Cabaçal. WWF-Brasil/Geralda Magela

Por Geralda Magela

Em alguns lugares, é chamada de boçoroca, em outros, de voçoroca. Não importa a grafia, o fato é que a imagem desse fenômeno é feia e triste. Esse fenômeno geológico de nome esquisito é na verdade um processo erosivo grave, resultado da degradação ambiental, da ocupação desordenada, do desmatamento e do mau uso do solo.

No município de Reserva do Cabaçal, a 430 km de Cuiabá, boçorocas imensas em áreas de nascentes de córregos da bacia do Rio Cabaçal se tornaram uma dor de cabeça não só para os proprietários das fazendas como também para os moradores da cidade, que viram as águas do Rio Cabaçal e de seus afluentes reduzirem drasticamente nas últimas duas décadas.

Os moradores da cidade que, devido à grande quantidade de nascentes e cachoeiras, recebeu o título de paraíso das águas, viram seus recursos naturais ‘escorrerem pelo ralo”, juntamente com os sedimentos carreados para o leito de seus córregos e para o rio. E o Rio Cabaçal que já foi volumoso e belo estava virando um grande banco de areia. Então resolveram buscar ajuda.

Mas combater uma boçoroca não é fácil. Esse processo erosivo se forma em áreas com pouca vegetação e de solo degradado. Sem essa proteção natural, o solo fica desprotegido e árido e nada mais nasce ali. O resultado são buracos gigantes abertos na terra, que vão aumentando a cada chuva, formando verdadeiras crateras e carreando sedimentos para os rios.

Combater essas erosões é um processo difícil, custoso e demorado. Em 2009, o WWF-Brasil começou a desenvolver um projeto de conservação de nascentes no município de Reserva do Cabaçal, em parceria com a prefeitura, com os moradores, além da Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT) e Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Nasceu então o movimento pelas Águas do Cabaçal.

O trabalho inclui a realização de oficinas de educação ambiental e técnicas para recuperação de solo e conservação ambiental. O trabalho de campo tem o acompanhamento da agrônoma Letícia Thommem , especialista em recuperação de solos degradados.

Com o apoio dois técnicos da cidade e de voluntários foi montada uma operação engenhosa para conter a boçoroca e fortalecer o solo. O trabalho envolve a análise do solo para escolha das melhores técnicas para conter a erosão e recompor o solo. Para isso, são usados materiais simples, mas que ajudam a conter a erosão e a recompor o solo, entre eles paliçadas de bambus, restos de madeira e de poda de árvores, entre outros materiais. O projeto piloto está sendo desenvolvido em uma área de nascentes do córrego Drascena, um dos afluentes do Rio Cabaçal. A intenção é repassar essa experiência para outras propriedades e disponibilizar o conhecimento obtido com essa experiência para outros municípios.

Proteger as nascentes do Rio Cabaçal é muito importante para o WWF-Brasil. Situado em uma área de transição entre a planície e o planalto da Bacia do Alto Paraguai, o município é estratégico para o abastecimento do Pantanal. Nas partes altas do município estão as nascentes dos córregos que correm paro o Rio Cabaçal, um importante afluentes do Rio Paraguai. As águas que nascem lá vão se somar a outras águas, de outros córregos e rios, e ajudar a manter pulso hídrico tão necessário à existência do Pantanal.

4 nov 10

Fogo consumiu parques no Cerrado

por cuidardanatureza
Queixadas torradas durante os incêndios deste ano no parque nacional das Emas. foto: Leandro Silveira /UFG

Aldem Bourscheit

O fogo queimou este ano cerca de 6 mil quilômetros quadrados em seis parques nacionais no Cerrado. Juntos, eles somam 10,2 mil quilômetros quadrados. Na região da Ilha do Bananal, as chamas devoraram uma área maior que a do estado de Alagoas.

É o que mostra um balanço feito pela pesquisadora Helena França, do Centro de Engenharia e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC, de São Paulo. A análise foi baseada em imagens livres do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O parque nacional do Araguaia ocupa um quarto da maior ilha fluvial do planeta, a Ilha do Bananal, no Tocantins. Na região, foram consumidos mais de 30 mil quilômetros quadrados, área maior que a do estado de Alagoas. Da unidade de conservação federal, foram queimados 56%, ou mais de 3.100 quilômetros quadrados.

Entre Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o parque nacional das Emas (foto) foi o mais afetado na última passagem do fogo, pois 1.208 (mais de 90%) de seus 1.330 quilômetros foram queimados. O último grande incêndio naquele sítio declarado Patrimônio Natural da Humanidade pelas Nações Unidas aconteceu em 1994.

Com apenas setecentos de seus quase 2 mil quilômetros quadrados regularizados, o parque nacional da Serra da Canastra (MG) perdeu 42% de sua vegetação este ano, ou 835 quilômetros quadrados. Em 2006 e 2007, incêndios atingiram 55% e 51% da porção regularizada do parque, respectivamente.

Também reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade, o parque nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) viu as chamas consumirem 477 de seus 660 quilômetros quadrados, ou seja, 77% da área protegida foram queimados. Incêndios são freqüentes na unidade de conservação. Os grandes últimos foram em 2003 e 2007, atingindo 90% e 60% da área, respectivamente.

Em plena capital federal, o parque nacional de Brasília foi afetado por incêndios em setembro, quando 165 (36%) de seus 454 quilômetros quadrados foram queimados. Outro grande incêndio havia ocorrido em 2007.

No Mato Grosso, o parque nacional da Chapada dos Guimarães teve 112 (35%) de seus 320 quilômetros quadrados queimados.

Em sua análise, Helena França destaca que é “praticamente impossível avaliar com rigor as conseqüências dos incêndios recém ocorridos em nossos Parques Nacionais, pois não existem programas de pesquisa e monitoramento contínuo dos efeitos do fogo na biodiversidade e nos processos ecológicos nessas unidades. Os resultados aqui apresentados, embora apenas descritivos, reforçam a necessidade de discutir e rever com urgência o manejo do fogo em nossas unidades de conservação de proteção integral”.

Confira Os incêndios de 2010 nos parques nacionais do Cerrado aqui.

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3 nov 10

Como fazer um filme na Amazônia

por cuidardanatureza
Filhote de tartaruga-da-Amazônia sai do ovo. ©WWF-Brasil/Isadora Afrodite

Muita beleza, cenas inesquecíveis e um bocado de sorte foram a marca registrada dos sete dias de viagem necessários para que a equipe de filmagem concluísse o documentário sobre as tartarugas-da-Amazônia e o Tabuleiro do Embaubal.

Por Isadora Afrodite e Ligia Barros

Duas câmeras, computadores, microfones, vários metros de fio, fitas e baterias, equipamento de som e de iluminação. Ao todo, 100kg de equipamentos e bagagens viajaram de avião, ônibus e voadeira para chegar de Brasília ao Tabuleiro do Embaubal, no Pará, para filmar o documentário sobre o nascimento das tartarugas-da-Amazônia.

A equipe, composta por quatro pessoas além da comunicadora do WWF-Brasil, Isadora de Afrodite, se juntou a professores, pesquisadores, estudantes e ribeirinhos que trabalham incansavelmente durante o mês de dezembro para dar às tartarugas-da-Amazônia que nascem na praia do Juncal mais chances de sobreviver em seus primeiros dias de vida. O objetivo do filme era mostrar esse trabalho e as belezas desse lugar especial do rio Xingu, para sensibilizar pessoas e instituições sobre a importância de se proteger o Tabuleiro do Embaubal.

A companhia dos professores Juarez Pezutti e Hermes Medeiros, da Universidade Federal do Pará, pela bióloga Cristiane Costa Carneiro, da secretária de Meio Ambiente de Senador José Porfírio, Saloma Oliveira, e do promotor de meio ambiente do Ministério Público do Pará, Emério Mendes Costa, durante a estadia no Tabuleiro do Embaubal foram fundamentais para conhecer melhor o trabalho realizado no local.

Foram sete dias de viagem, no total. Cinco no Tabuleiro do Embaubal, um trecho do rio Xingu onde, com o perdão pelo clichê, a natureza é exuberante. Já na primeira tarde e sem que a equipe tivesse que sair do alojamento, vários animais foram vistos e filmados, entre eles, botos, um socó e um lagarto do gênero Anolis.

Dia de filmagem

Já no primeiro dia de filmagem, o trabalho começou às 3h30 da madrugada. A equipe se deslocou até a praia do Jucal, onde os ovos de tartarugas estavam eclodindo.  Enquanto pesquisadores, estudantes e moradores de comunidades próximas recolhiam os filhotes de tartarugas que já estavam dando os primeiros passos pela areia e localizavam os ninhos ainda enterrados, a equipe de filmagem registrava tudo.

Em poucas horas o sol começou a despontar no horizonte, tingindo tudo em tons de rosa e laranja, e os primeiros animais diurnos começaram a se exibir para as câmeras. Aves, peixes e até algumas tartarugas adultas se aproximaram da praia do juncal.

Junto com o sol, no entanto, chegaram os urubus, temidos predadores que fazem plantão na praia à espera de que alguma tartaruguinha escape dos olhos e mãos da equipe de resgate. Felizmente, o trabalho de proteção das tartarugas já tinha sido concluído. Em pouco tempo, o calor intenso e o mau cheiro dos ovos que apodreceram nos ninhos, tornaram a permanência na praia inviável.

Trabalho concluído

Depois de cinco dias, a natureza do Tabuleiro do Embaubal, o trabalho dos pesquisadores e as opiniões de todos os presentes sobre a importância de se preservar essa imensa riqueza biológica estavam registradas pelas câmeras, microfones e bloquinhos de notas.

Uma visita ao município de Senador José Porfírio e duas fugas de tempestades no rio Xingu marcaram o encerramento do trabalho da equipe. No entanto, o trabalho dos pesquisadores, comunidade e estudantes de proteção das tartarugas-da-Amazônia não pára e as imagens captadas irão ajudar a divulgar a necessidade de conservar esse patrimônio natural.

29 out 10

Termina COP da Biodiversidade

por cuidardanatureza

Depois de duas semanas de muito trabalho, a biodiversidade do planeta foi beneficiada com o acordo alcançado em Nagoia. Os resultados dos documentos acordados entre os países representam avanços para a conservação e uso sustentável da biodiversidade e, principalmente, para a população mundial, que usufrui dos inúmeros benefícios que ela oferece.

Porém, é preciso lembrar que se o acordo alcançado na COP 10 no Japão não for levado a sério e tratado como prioridade pelos 193 países membros da Convenção sobre Diversidade Biológica, ele não trará as mudanças necessárias que o mundo precisa.

“É um momento de comemoração pois, sem dúvida, a biodiversidade recebeu a atenção e a dedicação que merece nessa COP”, afirmou o superintendente de Conservação do WWF-Brasil. “Mas este também é um momento de cuidado e de ficarmos atentos para cobrar que os países implementem esses acordos nacional e localmente”, concluiu Maretti.

28 out 10

Expectativas e ansiedade na reta final da COP de biodiversidade

por cuidardanatureza
A plenária da COP 10/CDB. © WWF-Brasil/Ligia Barros

Por Ligia Barros

De um dia para o outro, o número de pessoas circulando no Centro de Convenções em Nagoia, onde acontece a 10ª Conferências das Partes sobre biodiversidade, parece ter duplicado. De acordo com a organização do evento, são oito mil pessoas de todo o mundo e cerca de 1.800 jornalistas por aqui.

O clima, inclusive literalmente, também mudou na conferência. Junto com a chuva, chegou a correria geral. Na reta final das negociações, que se encerram amanhã, os representantes dos países entram e saem de plenárias e reuniões dos grupos de trabalho, e as organizações da sociedade civil andam atrás deles para tentar convencê-los a apoiar um resultado ambicioso nessa COP.

As salas destinadas à imprensa, vazias na primeira semana, estão a cada momento das disputadas. As poucas vagas surgem durante as conferências de imprensa, cada vez mais frequentes aos 40 minutos do segundo tempo. Diversos países estão anunciando suas posições à mídia e, felizmente, em sua maioria, dizendo que estão confiantes em um bom acordo para salvar a biodiversidade do planeta.

O cenário atual é: muitos avanços aconteceram, mas alguns pontos cruciais ainda continuam em aberto. Para citar os principais, há indefinição sobre a porcentagem das regiões ecológicas que será destinada às áreas protegidas e o consenso em alguns aspectos do protocolo que regulamenta o modo como os benefícios gerados por recursos da biodiversidade serão divididos entre os países, ainda não foi atingido.

As negociações devem avançar noite a dentro. E aqui vai nosso último grito de misericórdia aos ministros e representantes de estado: chegou a hora de ter flexibilidade nas negociações e assumir um compromisso de conservação da biodiversidade para os próximos dez anos que de fato seja condizente com o que o mundo precisa. Se não fizermos algo agora, daqui dez anos será tarde demais.

27 out 10

Pela conservação e recuperação da Mata Atlântica

por cuidardanatureza
Rio Una, na Estação Ecológica Juréia-Itatins, São Paulo. © WWF-Brasil

Por Aldem Bourscheit

Com suas florestas, campos, restingas e manguezais reduzidos a menos de um terço da área original, a Mata Atlântica é hoje o mais degradado dos biomas brasileiros. Menos de 8% de sua vegetação estão bem conservados. Mesmo assim, seus remanescentes ainda prestam “serviços ambientais” indispensáveis a 123 milhões de brasileiros (67% da população) que vivem na região, como proteger e manter rios, lagos, evitar a queda de encostas, regular o clima e a qualidade do ar.

Estudo da Rede WWF e do Banco Mundial revelou que mais de trinta das 105 maiores cidades do mundo, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, dependem da água fornecida por unidades de conservação e avaliou que as matas distribuídas às margens de cursos d´água na Mata Atlântica estão comprometidas. Quando preservadas, por exemplo, servem para conter enchentes e proteger a biodiversidade formando corredores entre áreas conservadas.

Atualmente, existem 123 unidades de conservação federais e 225 unidades de conservação estaduais na Mata Atlântica, somando quase 75 mil quilômetros quadrados. Para atingir a meta internacional de ao menos 10% do bioma em unidades de conservação, é preciso ampliar sua área protegida em cerca de 36 mil quilômetros quadrados.

Considerada área prioritária para conservação em nível mundial, com mais de 20 mil espécies de plantas (35% da flora nacional), 849 espécies de aves, 370 de anfíbios, duzentas de répteis, 270 espécies de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes, a Mata Atlântica ainda vê sua vegetação encolher frente à expansão da fronteira agropecuária, cultivo de árvores exóticas e avanço de infra-estrutura sem estratégias sustentáveis.

De 2005 a 2008, os estados que mais desmataram o bioma foram Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia, responsáveis por mais de 80% do total de desflorestamento no período. Um dos resultados é que, das 472 espécies ameaçadas de extinção no Brasil, 276 (mais de 50%) estão na região.

A Mata Atlântica cobria originalmente 1,3 milhão de hectares em 17 estados. Sua manutenção e recuperação dependem do envolvimento de setores políticos, produtivos, econômicos e sociais.

* com informações do Ministério do Meio Ambiente

26 out 10

UCs em Bertioga a um passo da criação

por cuidardanatureza
As áreas que receberão proteção oficial abrigam rica biodiversidade e estão vulneráveis à pressão imobiliária e turística. © WWF-Brazil / Instituto Ekos Brasil / R.A.F. Lima

Por 27 votos favoráveis, um voto contra e uma abstenção, o Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Consema) aprovou hoje a criação do Parque Estadual Restinga de Bertioga, com 9.264,42 hectares, e da Área de Relevante Interesse Ecológico Itaguaré, com 58 hectares, ambos no município de Bertioga.

Conforme o diretor-executivo da Fundação Florestal de São Paulo, José Wagner Neto, o texto recebeu pequena alteração para permitir a captação de água para abastecimento público nas áreas protegidas e segue para a Casa Civil do Estado. Em seguida receberá a assinatura do governador e só então será publicado no diário oficial.

“A expectativa é de que a criação seja concretizada este ano. Havia estudos com quase 30 anos para a proteção daquela área, medida que se tornou possível com um processo participativo e apoio do WWF-Brasil. Hoje é um dia importante para a conservação da Mata Atlântica em São Paulo”, afirmou José Wagner Neto.

A criação das unidades de conservação em Bertioga é uma prioridade do WWF-Brasil, que promoveu uma série de ações públicas e via Internet. As áreas protegidas também fazem parte da lista de prioridades da campanha Cuidar da natureza é cuidar da vida.

As áreas que receberão proteção oficial abrigam rica biodiversidade e estão vulneráveis à pressão imobiliária e turística. Além de proteger rios que abastecem a região e espécies ameaçadas e exclusivas do bioma, as unidades conservarão a planície que faz conexão com o Parque Estadual da Serra do Mar.

“Em vez de milhares de hectares, ou mesmo milhões de hectares, como temos na Amazônia, resta tão pouco da Mata Atlântica que devemos preservar e comemorar a criação de novas áreas protegidas, mesmo que medidas em metros quadrados”, ressalta Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.

Confira aqui a minuta de criação das unidades de conservação em Bertioga.

Veja, também, o mapa da criação das UCs em Bertioga.

26 out 10

WWF entrega pedidos à presidência da COP 10

por cuidardanatureza

Por Ligia Paes de Barros, de Nagoia

Nesta terça-feira, um dia antes do início das negociações de alto nível, o WWF entregou formalmente os pedidos escritos pelos visitantes no stand da organização à presidência da COP 10. No centro do maior prédio do centro de convenções, a entrega foi feita por uma menininha em nome das crianças de todo o mundo, acompanhada pelo panda. O vice-ministro do Meio Ambiente do Japão recebeu os papéis e o secretário-executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf, afirmou que tais desejos serão levados para as salas de negociações.

Vice-ministro do Meio Ambiente do Japão, Shoichi Kondo; secretário-executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf; presidente do WWF Internacional, Yolanda Kakabadse; e secretário-geral do WWF-Japão, Takamasa Higuchi, na entrega formal dos pedidos da sociedade civil para a COP 10. ©WWF-Brasil/Ligia Barros